História,  Reportagem

A outra pandemia que o mundo demorou a levar a sério, em relato do jornalista científico espanhol Daniel Mediavilla

No início, os espanhóis também menosprezaram as primeiras notícias sobre uma nova doença, parecida com a gripe e de efeitos, aparentemente, leves. Nem mesmo quando a enfermidade  ocupou a primeira página do jornal ABC, no dia 22 de maio de 1918, os hábitos dos moradores de Madri foram alterados.  Era época das animadas festas de San Isidro e a maioria das pessoas não quis perder as atrações musicais e gastronômicas que movimentaram suas ruas por vários dias – uma tradição que se mantém de pé até hoje e reuniu, no ano passado, mais de 200 eventos públicos em 15 pontos diferentes no perímetro urbano da capital da Espanha.

As aglomerações que sempre caracterizaram as festividades em homenagem ao padroeiro da cidade se converteram, naquela primavera de 1918, em espaços ideais para o contágio da doença, conforme o jornalista científico Daniel Mediavilla, do El País, que publicou, em 22 de março passado, um relato sobre a pandemia que ficou conhecida como “gripe espanhola”.

Hospital de campanha no Kansas Imagem: National Museum of Health and Medicine

A enfermidade teve origem em uma cepa do vírus Influenza A, do subtipo H1N1. Embora não se saiba exatamente onde surgiu, ela foi identificada pela primeira vez em março de 1918 nos Estados Unidos, mas só foi revelada três meses depois pelo jornalismo espanhol. Como o país ibérico era neutro na Primeira Guerra Mundial, suas publicações não eram censuradas. Em pouco tempo, boa parte do mundo foi infectada e os números finais, em dezembro de 1920, foram aterradores:  500 milhões de infectados e mais de  50 milhões de pessoas mortas.

A íntegra da matéria do jornalista Daniel Mediavilla, intitulada 1918, la otra gran epidemia que no nos tomamos en serio, e que integra a cobertura do jornal espanhol El País sobre o Coronavírus, pode ser acessada aqui.

O CARÁTER PREMONITÓRIO DA PANDEMIA DE 1918

A possibilidade iminente de uma pandemia das dimensões como as da Coronavírus foi abordada, em profundidade, numa série de cinco reportagens assinadas pelo renomado jornalista e escritor inglês Simon Parkin na editoria de Ciência do El País a partir de 30 de outubro de 2018. Sob o título geral ¿Estamos preparados para la gran pandemia?, o conjunto de textos alertava para o surgimento da mais perigosa epidemia que o planeta já viveu. Para compor o material, originalmente publicado na revista digital How We Get To Next (A magazine of the future), o autor ouviu, entre outras fontes, os epidemiologistas que estão realizando as mais inovadoras pesquisas dessa área. A série de reportagens pode ser acessada aqui.

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As lições da chamada gripe espanhola para a atual pandemia que abala o mundo também foram tratadas em reportagem histórica publicada em 21 de março no site da BBC Brasil. Sob o título O trágico exemplo da Filadélfia, onde desfile de rua causou milhares de mortes pela gripe espanhola, o texto assinado por

No início do mês passado, em 7 de março, o jornalista e escritor Ruy Castro relacionou as duas pandemias em texto publicado no jornal português Diário de Notícias. Intitulado A epidemia que veio pela informação, o artigo pode ser acessado aqui.

Em seu mais recente livro, Metrópole à beira-mar: O Rio moderno dos anos 20, lançado em novembro de 2019 pela Companhia das Letras, Ruy Castro não poderia deixar de se referir à epidemia de 1918. O autor se reporta ao contexto histórico que envolvia a cidade do Rio de Janeiro no final da década de 1910: os efeitos da Primeira Guerra Mundial e as funestas consequências da gripe espanhola, que fez mais de 35 mil mortes no Brasil e, em janeiro de 1919, levou à morte do presidente eleito, para um segundo mandato, Rodrigues Alves. Uma resenha do livro Metrópole à beira-mar: O Rio moderno dos anos 20, assinada por Isabela Fontanella no site Deviante, pode ser acessada aqui.

 

 

 

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